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EXCRETÓRIO – EXCRETURAS (setembro, 2026)

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       Embora me percebesse como artista desde muito cedo, somente em 2017 abandonei o mundo corporativo para me dedicar exclusivamente às artes. Por anos, evitei me reaproximar daquele lugar. Recentemente, no entanto, meu foco se voltou ao que vinha rejeitando: a burocracia, os manuais de gestão, as planilhas e formulários.

EXCRETÓRIO/EXCRETURAS, projeto que atualmente desenvolvo, parte de intervenções que contaminam esse ambiente empresarial com fragmentos visuais e textuais provenientes das HabitAções. Penso essa manipulação como um embate entre o caráter experimental da arte e a precisão das estruturas de controle, tanto daquelas em que atuei quanto daquelas em que agora estou inserido.

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EXCRETÓRIO - EXCRETURAS (september, 2026)

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Although I have perceived my self as an artist from a very early age, it wasn’t until 2017 that I left the corporate world to dedicate myself exclusively to the arts. For years, I avoided recalling that past. However, recently, my focus has shifted back to what I rejected: bureaucracy, management manuals, spreadsheets, and forms. EXCRETÓRIO and EXCRETURAS, research projects I’m currently developing, originate from interventions that contaminate this business environment with visual and textual fragments produced in the HabitAções—a clash between the experimental nature of art and the precision of control structures—both those in which I once worked and those in which I am now embedded.

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Trabalho de arte (setembro - outubro, 2025)

Escrito originalmente para edital público/portfolio

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        Minha pesquisa tem linhagem no experimentalismo contemporâneo, daí esculturas, instalações e intervenções que retêm noções de tempo e espaço variáveis, abrindo-se a processos mais longos de criação, sem um programa rigorosamente fechado. Interesso-me pela sobra dos processos da atividade humana: fragmentos, marcas, vestígios e resíduos do corpo agindo sobre a matéria. Esse aspecto atravessa minha produção desde os trabalhos em papel – desenhos e colagens com alta gestualidade – passando pela fotografia, até os recentes trabalhos para contexto específico, intitulados HabitAções – sítios provisórios criados em locais que ocupo circunstancialmente.

        Essas experiências internas, vivenciadas no ambiente volátil e difuso da arte – onde procuro testar ideias e observar, por um viés fenomenológico, as relações que estabeleço com (e entre) as coisas  – são contaminadas pela realidade do entorno: o vagar pela cidade, a radialidade dos acontecimentos, a coleta de objetos e materiais segregados pelo estilo de vida do capitalismo avançado e periférico. O olhar com foco na estética dos acampamentos e dos abrigos efêmeros inventados por migrantes intraurbanos evoca, para além de estímulos conscientes às minhas realizações de arte, sentimentos de perda de território, ruptura, impermanência e abandono, remetendo a situações da biografia do artista.

        Com forte caráter performativo, incluindo a manipulação de secreções orgânicas de efeitos cromáticos, expurgativos e alquímicos, meus trabalhos afirmam a potência do corpóreo ao mental, articulando visualidade e textualidade. Relativamente a uma história dos fatos 3D na atualidade, são todos trabalhos que requerem um constante trânsito entre o dentro e o fora, nos indagando acerca do lugar que ocupamos, quer no campo existencialista, quer no campo político.​​​​​​ 

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Art work (september - october '25)​​​​​​​

 

My research has its roots in contemporary experimentalism, hence sculptures, installations, and interventions that retain notions of variable time and space, opening up to longer creative processes, without a strictly closed program. I am interested in the remnants of human activity: fragments, marks, traces, and residues of the body acting on matter. This aspect runs through my production, from works on paper - drawings and collages with high gesturality - through photography, to recent site-specific works entitled HabitAções - temporary sites created in places I occupy circumstantially. These internal experiences, lived in the volatile and diffuse environment of art, where I seek to test ideas and observe, from a phenomenological perspective, the relationships I establish with (and between) things, are contaminated by the reality of the surroundings: wandering through the city, a focus on the aesthetics of ephemeral shelters invented by intra-urban migrants,  the collection of objects and materials segregated by the lifestyle of advanced and peripheral capitalism. With a strong performative character, including the manipulation of organic secretions with chromatic, purgative, and alchemical effects, my works assert the power of the corporeal to the mental, articulating visuality and textuality.  In relation to a history of 3D facts today, these are all works that require constant movement between the inside and the outside, questioning us about the place we occupy, both in the existentialist and political fields. 

              

A natureza imprevisível na obra de Artur Barrio (outubro, 2024)

Disponível integralmente em anais do XIII Congresso Internacional do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA-USP)

MORAES, Gustavo Aragoni Silveira; LARA, Arthur Hunold

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       Artur Barrio (Porto, 1945) surge na cena artística brasileira no final da década de 1960, com suas “Situações”, intervenções realizadas no espaço urbano que exploravam a efemeridade e o inesperado, características que nos anos seguintes ganhariam maior dimensão: “o que me deu vontade, quando entrei na galeria, foi de fazer o imprevisível” (Barrio, 1987), afirma o artista na ocasião da “Experiência no1”, trabalho-exposição apresentado em 1987. Embora suas intervenções tivessem como origem seus inúmeros projetos em “cadernos-livros”3, naquela ocasião se atualiza em seu trabalho uma abordagem na qual o projeto passa a ser justamente o de seguir projeto algum, iniciando ali uma nova e duradoura fase do artista dentro das galerias: “criar no local, sem projetos ou ideias pré-concebidas [...]” (Barrio, 2023, p. 2).

     Esse artigo objetiva examinar o elemento de “imprevisibilidade” que atravessa a obra de Barrio, adotando uma escrita que, assim como seu processo criativo, não segue uma estrutura formal de começo, meio e fim. A despeito de outros depoimentos em que se contradiz, quando afirma, por exemplo, que seus trabalhos são desenvolvidos a partir de “ideias predeterminadas em relação ao fazer (Barrio, 2017a), vale ressaltar aquilo que parece ser consistente em sua obra, isto é, o fato de que nada está determinado e definido a priori: tais ideias, segundo o artista, são misturadas a “percepções e pulsações” (Barrio, 2017a) do momento. Além disso, não se percebe em seu trabalho uma definição ou descrição prévia dos elementos fundamentais que integram um projeto clássico de arte, respondendo prévia e rigorosamente às costumeiras perguntas: o que será feito, em quanto tempo, por quê, para quê e, finalmente, como será feito (...) ​​​​​​​​​​​​​​​​​​

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Desenhos (março, 2019)

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         Meus desenhos nascem no inadequado, no conflituoso. Não tenho uma definição do que farei, a priori. As figuras que crio surgem dos gestos e marcas que faço sobre o papel. Das linhas abstratas que traço, das manchas e borrões que provoco com as mãos, com a barra de carvão, com o carré de pastel ou com o óleo sobre a espátula. Não há finalidade, não há um
porvir, vou pensando a composição, a relação positivo-negativo e elementos plásticos a partir desta relação com o material.

Dou abertura ao imprevisível. Em determinado momento há um encontro, um acontecimento que normalmente me propõe um movimento, um ritmo, um caminho a seguir. Sem desprezar totalmente a técnica, mas longe da procura por definições, ideias ou representações, privilegio no meu trabalho o improviso, a subjetividade, a intuição e um certo descontrole. Penso as figuras que surgem como corpos. Corpos que são extensivos a outros corpos...(extensivos ao meu corpo, ao corpo carvão, ao corpo luz)...corpos que se expandem, que se encadeiam, mas que também se dissolvem, se fragmentam, se decompõem.

São corpos anônimos, sem rosto, sem identidade, sem estrutura
ou configuração formal, mas que existem em intensidade, existem em potência. De modo geral, busco no meu trabalho a produção (e não a reprodução) daquilo que me afeta no mundo, da minha relação afetiva com outros modos existentes, com o espaço e com o tempo. O resultado é consequência desse processo de experimentação, dessa experiência errática e empírica.

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Drawings (march '19)​​​​​​

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​My drawings are created out of the inappropriate, the conflicting. There is no predetermination of what will be done. The figures that emerge derive from the gestures and marks I make on paper: abstract lines, collages, smudges and blurs made with my hands, with charcoal, with pastel sticks, or with oil applied with a spatula. There is no ultimate purpose or final outcome; the composition takes shape based on the positive-negative relationship and the plastic elements that emerge from this contact with the material. I leave room for the unpredictable. At a certain moment, there is an encounter, an event that usually proposes a movement, a rhythm, a possible path. Without completely disregarding technique, but far from the search for definitions, idealizations or representations, I value improvisation, subjectivity, intuition, and a certain lack of control.The figures that emerge can be thought of as bodies extended to other bodies: to my body, to the charcoal body. They are bodies in flux, which expand, link together, but also dissolve, fragment, and decompose. Bodies without faces, without fixed identities, without structure or formal configuration, but which exist in intensity, exist in potency.In general, in my work I seek the production (and not the reproduction) of what affects me in the world, of my affective relationship with other modes of existence, with space and with time. The result stems from this erratic and empirical journey, in which doing precedes any attempt at naming.

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Gustavo Aragoni ©2026                                                      

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